Pregar a cruz de Jesus, hoje isto implicaria em realizar uma pratica comprometida com, amor, solidariedade, justiça nas famílias, nas escolas, nos sistemas econômicos, e nas relações políticas. Só que este engajamento nesta causa nos leva a crises, confrontos, sofrimentos, cruzes.
Assim como foi com Cristo, será para todo aquele que quiser carregar esta cruz, vivenciar de fato este evangelho do reino, que significa modificar este sistema opressor e político contra os menos desfavorecidos, o sistema diz o seguinte que os que assumem as causas dos menos desfavorecidos são subversivos, traidores, inimigo dos homens, (amaldiçoados pela religião e abandonados por Deus), “Maldito o que morrer na Cruz”.
Libertar Jesus das cristologias que o aprisionam supõe a tarefa incessante de criar “evangelhos” que sejam, efetivamente, boas noticia para nossos contemporâneos, sem deixar por isso de verificar sua coerência com o evangelho pregado historicamente por Jesus de Nazaré.
Juan não quer falar ao homem de hoje, de um Jesus que nunca existiu, nem inventar um Jesus, mas que dar a importância devida, aos evangelhos a partir dos sinóticos e realmente ver a sua importância nas escrituras, e a sua veracidade histórica, ex: (como se fosse assim o que realmente Jesus disse ou foi os autores dos evangelhos que disseram posteriormente para seus próprios interesses).
Apesar de todos os escritos do novo testamento ser já interpretações de um Jesus procedente somente de uma fé, não temos nenhum documento histórico, no sentido que damos a este termo, os documento que mais se aproximam é os três evangelhos chamados sinóticos: Marcos, Mateus e Lucas.
E dentre estes sinóticos o que realmente parece que andou com Jesus foi somente Mateus, os outros dois não fizeram parte do grupo dos doze, é bom lembrar que segundo “Juan”, não foi o Mateus que andou com Jesus que realmente escreveu o livro.
Segundo Juan o primeiro critério que usa para estudar os sinóticos e o pré-pascal e o pós-pascal sendo que este ultimo se introduz no pré-pascal, e a interpretação que se tem é que o pós-pascal matiza (ou seja, dá outras versões ao pré-pascal), os acontecimentos que antecederam a páscoa.
Não é que se vai menosprezar com este critério parte dos sinóticos, mas vai fazer um analise critico histórico dos sinóticos.
A interpretação pós-pascal matiza inconscientemente, os acontecimentos que precederam a páscoa. Não é estranho, portanto, que a historiografia moderna (posta a serviço da exegese e da teologia) tente resgatar e preservar, na medida do possível, o pré-pascal tal como foi, sem essas irrupções de sentido feitas a parti do desenlace conhecido posteriormente e projetado sobre a memória do anterior.
Como se carecesse de importância ou veracidade, uma parte dos sinóticos. A interpretação é também fato histórico. Trata-se aqui de achar um critério de “confiabilidade”, ou melhor, da prioridade na fiabilidade dos fatos narrados. “O retrato histórico de Jesus”, “e mesmo das cristologias futuras”, deverá apoiar-se sobre aqueles fatos que forem mais seguros e avançar a partir desse núcleo. E, logicamente, aparece como mais certo, a partir do testemunho evangélico mesmo, aquilo que se tem atribuído a Jesus sem referência a sua paixão, morte e ressurreição, talvez o uso mais óbvio deste critério corresponda a predições supostamente feitas por Jesus, elas poderiam ser ex eventu, como se diz em exegese, quer dizer postas em sua boca depois de se efetuarem os acontecimentos em questão e conhecidos posteriormente pelos evangelistas.
Por exemplo, os que concernem à ruína de Jerusalém, se tiverem em conta que, segundo toda probabilidade, pelo menos dois dos sinóticos – Mateus e Lucas – foram redigidos depois dessa destruição pelos romanos no ano setenta, sentimo-nos mais seguros diante de uma exclamação vaga de Jesus como aquela que Mateus e Lucas conservaram (e que faria parte de Q, a fonte comum a ambos): “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedrejas os que te são enviados!... “Vossa casa ficara deserta”, (Mt. 23. 37-38; Lc. 13. 34-35).
Já indicamos o que é extraordinário – e precisa de explicação – o fato de que um homem comum, sem autoridade alguma, interesse, apaixone com sua mensagem seus contemporâneos, é verdade que bem entendida, como cuidaremos de mostrar em capítulos seguintes, a pregação de Jesus tocava em pontos mais concretos da situação econômica, social e política de Israel de seu tempo. Mas isto não basta para desencadear um movimento da amplitude perigosa que foi a partir de Jesus. Temos que acrescentar, então, que existiam expectativas em Israel, que, de certo modo, convergia com esta pregação e que ajudaram a lhe dar destaque.
Na época existiam as vagas expectativa messiânicas do A. T. que permeavam o povo e isto contribui-o para que os evangelistas convergissem para Jesus depois da páscoa, isto não quer dizer que Jesus tenha sido reconhecido por seus discípulos, ou mesmo pela multidão, segundo estas quatro linhas de interpretações.
Que seriam estas:
O profeta dos últimos tempos, (ou profeta escatológico: um novo Moises ou Elias retornado a terra) Mt. 17. 12-13 “Mas eu vos digo: Elias já veio e não reconheceram. Ao contrario, fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo modo o filho do homem vai sofrer nas mãos deles”.
A categoria do filho de Davi ou Rei de Israel é assumido por Jesus implicitamente, quando, movido pelos gritos do cego: “Jesus filho de Davi tem misericórdia de mim!”, ele o cura e lhe diz: “Vá, a fé te salvou” (Mc. 10. 47 – 48 e 52).
O servo (sofredor) de Javé, Lucas, narrando os episódios ocorridos na sinagoga de Nazaré, nos diz que Jesus, abrindo a profecia de Isaias, leu a passagem onde dizia: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para anunciar os aprisionados a libertação, aos cegos à recuperação da vista, para pôr em liberdade os oprimidos, e para anunciar um ano de graça do Senhor”. E começou a falar, “hoje se cumpriu a escritura que acabais de ouvir”, (Lc. 4. 17 – 21). Esta passagem de Isaias (61. 1 – 2), é citadas para as passagens messiânica do servo sofredor de Javé entre outras (Is. 42. 1 – 2).
Finalmente de acordo com os sinóticos e mesmo com João, Jesus se chama a si mesmo continuamente “Filho do Homem” o que equivaleria a assumir as esperanças depositadas nas profecias de Daniel (7. 13 – 14), a respeito de um personagem que, “como um filho do homem, vinha vindo com as nuvens do céu”, para adquirir um reino eterno.
Os evangelhos não só mostram que Jesus foi interpretado segundo estas quatro linhas de esperanças messiânicas, mas mostram que ele mesmo aplicou a si tais categorias ou teria deixado que lhe fossem aplicadas.
O segundo critério histórico que nos serve para determinar o mais digno de fé nos documentos que possuímos com respeito a Jesus tem também uma certa relação com o primeiro que distinguia o pré do pós-pascal. Só que aqui trataremos de distinguir o pré-eclesial do pós-eclesial.
Os evangelistas escreveram para a Igreja cristã ou as Igrejas cristãs?
E estas constituem um fato pós-pascal. Jesus, entretanto, fala e atua em outro contexto. Se ele tenta formar seus discípulos, é mais para que compreendam do que para solucionar problemas dessa “comunidade” que ainda, falando com rigor, não existe.
E isto, independentemente da questão suscitada por historiadores exegetas ou teólogos que é saber se Jesus pensou ou não em fundar uma comunidade organizada que o sucedesse em sua missão.
Por outro lado, o fato de que uma boa parte do que hoje temos nos evangelhos tenha sido tirado do seu contexto primitivo e dirigido as Igrejas contemporâneas dos evangelistas, a seus membros, autoridades e problemas, parece evidente.
E com isso, a necessidade cientifica de distinguir o contextual em seus dois aspectos: o contexto eclesial e o que a ele se deve por uma parte, e o contexto religioso, social, econômico e político de Jesus e as coisas que ou vêm dele ou deveriam ser interpretados em função dele.
Esta claro que a fiabilidade histórica vai para este ultimo contexto (o mais primitivo). Mas, justamente o estar consciente da influência do primeiro levará a descobrir o segundo
O contexto eclesial è muito claro, por exemplo, no evangelho de João Todos sabemos que os acontecimentos, no quarto evangelho são colocados e escolhidos em virtude da lógica de certo simbolismo, o que não quer dizer que não tenham acontecido. Símbolos como a água o pão a luz a videira são centrais para compreender as preferências e a estrutura da memória do evangelista, mas pareceria que, além do seu simbolismo natural, por assim dizer - e da relação deste simbolismo com as necessidades culturais de uma igreja geograficamente situada-, a maioria desses símbolos têm, num projeto mais esotérico do redator do quarto evangelho, um segundo plano, sacramental.
Em outras palavras, à diferença de um leitor pagão que entenderia já perfeitamente o texto, o leitor cristão do evangelho de João faria mais outra leitura, a partir do interior da sua vida eclesial. Assim, ainda que observe que o simbolismo do pão é a vida que a Fé procura, não poderá deixar de associar o símbolo “pão” com a eucaristia que ele celebra na comunidade eclesial. E o evangelista arranja as coisas de tal maneira para que também esta leitura tenha sentido.
Nos sinóticos, a presença deste contexto eclesial no texto evangélico é menos consciente e voluntaria e também, portanto, mai sutil e difícil de detectar.
Dodd e Jeremias, entre outros, mostram, por exemplo, como as parábolas de Jesus foram postas as disposições das necessidades da Igreja depois da páscoa (morte), apesar de que para Jesus quase todas elas são parte de uma polêmica com as atitudes de resistência ao reino que ele encontra em seus interlocutores (fariseus e autoridades religiosas de Israel).
Referimo-nos somente de maneira breve e sumária ao terceiro critério de fiabilidade histórica com respeito a Jesus de Nazaré: critério literário como se sabe, temos em quatro documentos do novo testamento entre outras tantas narrações do ministério publico de Jesus, quer dizer dos fatos que vão desde seu batismo ate sua morte e ressurreição. Em que medida deixam este quatros documentos (evangelhos) aparecer uma historia fidedigna de Jesus, ou, em outras palavras dão acesso ao Jesus histórico?
Por uma parte, é certo que nenhum desses quatro documentos é uma obra de historia, no sentido moderno e científico da palavra. Nenhum dos quatro pretende ocultar que essas narrações veiculam uma compreensão de Jesus unida estreitamente à fé nele, fé que pretendem explicitamente transmitir. Por outra parte, isto não faz com que os dados que nos proporcionam sejam falsos ou pouco verdadeiros. Isso nos obriga sim, a tomar as precauções que temos mencionado nos critérios estudados ate aqui para chegar mais perto do que realmente aconteceu com Jesus de Nazaré.
Destes quatro documentos se destaca um (o quarto evangelho) ou evangelho de João, como particularmente distante do que hoje consideraríamos uma narração fiável. Seu redator se estende principalmente em acontecimentos que as outras três narrações inexplicavelmente ignoram, como, por exemplo, a ressurreição de Lázaro, personagem conhecido em Jerusalém, fato que teria influído posteriormente no aprisionamento e na morte de Jesus.
No começo deste volume víamos que qualquer um que pretender aproximar se do Jesus histórico tem que fazer a si mesmo a pergunta de como um homem, na aparência em nada diferente dos demais (e que não insistiu nunca em seus próprios títulos), começa a interessar e a apaixonar os seus contemporâneos
Pois bem, em nosso mundo limitado é difícil imaginar um apaixonamento, um entusiasmo, um interesse profundo, que não seja, de alguma maneira, conflitivo, este conflito poderá se dar no plano mais abstrato das idéias - combatendo algumas e defendendo outras - ou no mais concreto de interesses de grupos, classe, nações, etc.
Algo que não divide também não entusiasma nem gera militância e compromisso.
Jesus, homem verdadeiro, não pôde escapar a esta lei. Mas não é fácil pôr de acordo neste ponto os documentos neotestamentários que tratam dele.
Assim os evangelistas - inclusive João - nos mostram um Jesus conflitivo no segundo sentido, (pos-pascal) constitui um perigo para certos grupos concretos de pessoas. Isso concorda com sua própria declaração: “não penseis que vim trazer a paz a terra, não vim trazer a paz, e sim a espada (Lc divisão). Pois vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. Os inimigos da gente serão os próprios parentes”(Mt 10,34: cf. Lc 12,51-53)
E certamente quando lemos os evangelhos libertados da imagem pré-fabricada do “doce Jesus de Nazaré”, nos encontramos a cada passo com um conflito consciente e voluntário entre grupos perfeitamente determinados, conflito que, não demora muito para levar ao assassinato jurídico de Jesus.
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