Este blog tem o intuito de mostrar uma perspectiva do livro “O Homem de hoje diante de Jesus de Nazaré”, segundo a visão de Juan Luis Segundo.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Até aqui foi possível observar na análise dos textos sinóticos, uma preocupação constante em conceituar como o reino de Deus se estabelece entre os homens, partindo de uma análise pautada no viés politico, buscando conhecer e encontrar um Jesus histórico. Porem, ao analisar as cartas de Paulo é necessário uma nova possibilidade (chave), que nos leve a compreensão do que Paulo realmente queria tratar e a quem ele se dirigia. Paulo sem duvida foi um ser genial, capaz muitas vezes de ter uma atividade criadora fantástica, que lhe permitia formular conceitos adequados para cada situação que vivenciava ou que necessitava de sua intervenção. Paulo não foi contrario aos sinóticos, embora seus escritos sejam anteriores a estes. Certamente ele conhecia as comunidades e suas tradições de fé. Paulo conseguiu trazer para os gentios o entendimento que para eles era necessário, não o ensino do Jesus, mas sim do Cristo de Deus, não a lei judaica, mas sim o Cristo que salva pela Fé. Ao contrario do que muitos pensam Paulo não foi um teólogo dado às questões filosóficas, suas formulações embora muitas vezes filosóficas, tinham como real intensão tratar os problemas e as demandas das comunidades pelas quais passou ou fundou. A cristologia de Paulo é constantemente dividida em três períodos. Primeiro período por volta do ano 50 d.c, quando teria escrito as duas cartas aos Tessalonicenses. O segundo por volta de 57 d.c, com as duas cartas aos Coríntios, Gálatas e Romanos. Este é considerado o período central de sua cristologia e onde teria formulado seus maiores conceitos teológicos. O terceiro período aconteceu por volta dos anos 61-63 d.c, e compreende as cartas aos Colossenses e a Filemom. Porem, a análise de Juan Luís se concentra no segundo período, mais especificamente nos primeiros oito capítulos da carta aos Romanos. Esta escolha não é sem motivo, pois em suas outras cartas ele sempre escrevia procurando esclarecer ou tratar assuntos específicos de cada comunidade. Na carta aos Romanos, visto não conhecer a comunidade pessoalmente, ele teve a possibilidade de escrever um mini tratado teológico, se utilizando de termos como Graça, Pecado, Fé, Homem Interior, Lei, Justificação, Gentios, Judeus e muitos outros. Nesta carta ela não estava necessariamente preso aos problemas da comunidade local, ficando livre para tratar de assuntos realmente pertinentes a todos que partilhavam dessa nova Fé. Estes termos anteriormente citados levam a uma compreensão humanista, por esse motivo a chave para o entendimento da carta aos Romanos não é politica e sim antropológica. Paulo distingue o pecado dos gentios, dos cometidos pelo judeus. Na visão de Juan Luís o pecado dos gentios não seria o ato cometido e sim as condições que levam o ser humano a se desumanizar, quebrando assim o vinculo das relações humanas e não permitindo o estabelecimento da justiça de Deus. Nesta relação o individuo conscientemente se afasta de Deus e busca seus próprios interesses. Já os judeus por ser o povo “eleito”, deveriam sem duvida levar a humanidade para o conhecimento de Deus, porem o entendimento deles de “eleitos” os levou a serem egoístas e buscarem os “privilégios” concedidos por Deus só para eles. O fato de portarem a lei moral de Deus os tornou legalistas, e buscavam se auto justificar pela Lei. É possível observar três períodos nessa construção. O primeiro ( Adão – Moisés) e um período universal no qual o homem discerni o pecado por ter em si uma Lei interior que o conduz a Deus. Neste período ocorre outro evento importante, Deus chama Abraão. Deus não chama Abraão sendo ela já circuncidado e sim incircunciso. Neste período universal observa-se em Abraão o principio que depois será confirmado em Jesus, a Fé. Após este primeiro momento vem o segundo período (Moisés – Jesus) em que é dada a Lei aos Judeus. Neste período é estabelecida a Lei, na qual Deus da a conhecer não apenas no homem interior, mas também exterior, princípios morais. Após este período começa a era de Jesus, que compreende a unificação da universalidade (Abraão) com a moral (Moisés). Em Jesus o homem não deixa de ser pecador, porem se torna liberto do poder que escraviza o homem desde Adão. Quando Juan Luís menciona Adão ele simboliza a humanidade desumanizada, e em Jesus a humanidade livre do poder escravizador do pecado. Portanto a partir de Jesus, e alcançado pela graça de Deus o homem começa a criar relações mais humanas, e de respeito. A partir de Jesus o único critério de julgamento usado por Deus é a Fé. É pela Fé que Deus declara o homem escravo do pecado justo, sem deixar de julgá-lo. Este novo critério gera um problema para o homem escravo do pecado, uma vez que, naturalmente o homem não crê senão naquilo que controla naquilo que pode alcançar. Por esse motivo existe uma forte tendência em buscar a religião, pois esta torna o pecado calculável e tangível. Em Jesus Cristo existe a possibilidade de o homem obter uma realização plena, que permite a substituição dos mecanismos da Carne (pecado), pelo do Espirito (liberdade). A análise de Juan Luís dos sinóticos como das cartas de Paulo não se contradizem, as diferentes chaves (politica e antropológica) por ele utilizada possibilitam uma atuação nos problemas da sociedade, entendendo que o homem é quem é o principal agente social. Portanto para se estabelecer o Reino de Deus (sinóticos) é preciso que o homem humanize suas relações e seja liberto do poder do auto engano, que tem no legalismo religioso o seu grande trunfo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário